Um anjinho chamado...
A
história do nosso anjinho começou ainda na sua gestação, quando em um
ultra-som de rotina (para saber o sexo) foi detectado excesso de líquido
amniótico. Logo após em outro ultra-som mais detalhado (morfológico)
ficou diagnosticado que os ventrículos cerebrais estavam um pouco além
do tamanho normal para a idade gestacional e a desconfiança de atresia
do esôfago (má formação do esôfago) e agenesia de corpo caloso. No dia
08 de abril de 2000 depois de três meses de angustia e ansiedade, nosso
anjinho nasceu medindo 47,5 cm e pesando 2,750kg, estava um pouco cansadinha
mas com muita saúde graças a Deus. Nada da tal de atresia do esôfago,
mas sabíamos que ela tinha algum problema neurológico e possivelmente
alguma síndrome rara. A geneticista da maternidade disse que
a Letícia tinha alguns pequenos traços síndromicos
e que achava bom fazermos um cariótipo para avaliarmos, feito o exame o resultado foi negativo, ou seja, não
constava nenhum problema com seus cromossomos.
Três
dias depois do nascimento nosso anjinho foi para casa conhecer seu lindo
quarto e seus brinquedinhos, durante os primeiros meses de vida não
tivemos nenhum problema com a saúde dela a não ser infinitas noites
acordados por causa das constantes cólicas e prisões de ventre. Sempre
foi muito tranqüila e só chorava por fome ou por dor. Nos primeiros
meses alguns detalhes nos chamaram atenção, ela não gostava que tocassem
no seu rosto e também reclamava muito na hora da troca de roupa, as
mãos viviam fechadas e os braços levemente contraídos, a demora para
conseguir mamar, o tempo passava e ela não conseguia sustentar a cabeça,
sempre jogava a cabeça para trás quase encostando-a nas costas e não
conseguia fixar o olhar durante muito tempo. Outro fator que nos preocupou
é que até os 6 meses ela sofria muito com uma freqüente regurgitação,
tudo que ela tomava ficava voltando durante muito tempo causando otites
e até mesmo uma esofagite.
Meses
e meses passaram e ainda não existia um diagnóstico sobre o problema
da Letícia pois era necessário fazer uma ressonância magnética para
descobrir qual era o problema neurológico, que até então não
passava de uma desconfiança de uma má formação no Corpo Caloso
(parte do cérebro que liga um hemisfério a outro). O grande problema
era que para fazer o exame seria preciso utilizar anestesia geral e
não era possível devido as constantes otites e seu baixo peso. Faltando
alguns dias para ela completar 6 meses, foi feito um eletroencefalograma que mudou totalmente o rumo das coisas e nos deixou ainda mais preocupados
pois não imaginava-mos nem o que queria dizer o resultado: Características
sugestivas de um distúrbio difuso do desenvolvimento cortical, complexo
lisencefalia-paquigiria. Logo em seguida fomos procurar o
significado, mesmo antes de falar com o médico e hoje digo a todos com
toda a convicção deste mundo; NUNCA FAÇA ISSO, pois entrei em
pânico quando vi o que a literatura médica dizia sobre essa tal de lisencefalia,
e só depois de alguns dias consegui me acalmar e preferi esperar pela
ressonância magnética. Essa infinita espera durou um pouco mais de 3
meses... 3 meses que pareciam séculos...
Exatamente 1 dia depois de Letícia completar 9 meses de vida chegou
a hora do tão esperado diagnóstico, nesse dia não sabíamos o
que temíamos mais, se era o resultado ou a anestesia geral que
ela iria tomar. O exame durou pouco mais de 40 minutos e em 1 hora ela
já estava acordada e resmungando de fome... Alivio. Dois dias depois
o resultado estava
em nossas mãos e para variar fizemos a burrada novamente, abrimos antes
de falar com o neurologista. NOVO DESESPERO!!! O diagnóstico estava
parcialmente fechado: Lisencefalia Total. O mundo parecia ter desabado
sobre nossas cabeças até irmos a uma consulta de urgência que marcamos
com o neurologista para levarmos o exame e falarmos sobre o resultado.
Infelizmente não posso dizer que a conversa foi agradável, mas foi de
grande proveito pois o doutor nos explicou a realidade e a gravidade
dessa patologia de uma maneira muito direta mas ao mesmo tempo muito
acolhedora como se fosse uma pessoa da família e não um cientista que
usa palavras difíceis e age com uma frieza invejável. Doutor esse que
fez um pré diagnóstico no primeiro contato que teve com a Letícia e
foi muito além disso, também disse que ela poderia sofrer de uma síndrome
rara chamada Miller-Dieker, síndrome essa que só 3 meses depois da ressonância
magnética foi diagnosticada graças a um outro exame conhecido
como "fish". Insistem
em dizer que os melhores médicos estão fora do Brasil, então aqui vai
uma prova que isso não passa de uma grande besteira dita por quem não
sabe o que fala: Dr. Carlos Augusto Takagushi
- Neurologista Pediátrico.
A história desse anjinho não pára por aqui, e se Deus quiser vai encher páginas e páginas. O texto acima está super resumido e um pouco confuso, pois foi escrito em uma noite e não é fácil relembrar de tudo (ainda mais quando falamos de sofrimento e angustia), mas prometo elaborar o mais rápido possível um texto mais claro e com mais detalhes para que todos entendam o quanto nossa filha é especial e que também possa ajudar pais que por alguma graça ganharam filhos especiais como a nossa filhinha e que lendo está página podem ajudar os médicos a diagnosticar o problema muito mais rápido e com muito menos angustia. Nós sabemos o que é isso e faremos tudo que pudermos para ajudar as pessoas tentando assim evitar que passem o que passamos, não pela dor de saber que o filho sofre de uma doença que além de rara é muito grave, mas sim a dor da espera, pois essa acaba aos poucos com uma pessoa.
Clique
aqui e veja um vídeo da Letícia
Desenvolvido por:

Joaquim Arriscado
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